Dos ouvidos que procuram ouvir-te
Dos olhos que procuram ver-te
E ainda que do gosto penso e sei
Sentir ser o seu
Posso dizer
Tão real o sentir
Desses intensos prazeres
Porque tu fazes tão bem a minh'alma
Procuro-te dia e noite
Para assim assossegar-me
Em relevante calma
Podem os olhos meus fechar-se
Sem nunca apreciar-me
Em olhos teus?
Não...
Eis o grito calado
Ecoando feito a trovão
Nas profundezas de um coração
Se penso, logo existo
Se existo, logo penso
Que se te apartas de mim
Já não posso mais viver!
Eis que morro sem ter morrido
Eis que vivo sem ter vivido
Porque viver implica em amar-te
E amar-te implica em viver!
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