Desce sua mão suave sobre a face dela. Pele macia tal qual a dela.Naquele estado de pureza e beleza singela. Tal era ela, estava ela ali presente de corpo, de alma, de todas as formas que poderia estar.
Verbo de amar, ato de estar. Assim estava ela junto à ele. E ele junto a mim. Do toque suave ao olhar profundo. Êxtase. Que prazer maior o de você penetrar-me a alma. Único, não só o momento, mas você na minha vida.
Já tivera outros homens em sua vida, mas nada que se pudesse comparar com o que se passava naquele exato instante. Quem diria que conhecera aquele homem a poucas horas, era como se o tivesse conhecido por toda a vida. Ainda que algumas preocupações lhe cortassem os pensamentos, a força que a impelia naquele momento era infinitamente maior. E certamente impelia a ele também.
Na semi luz que pairava no ambiente em que estavam, podia ver o brilho que dos olhos dele faiscavam. Bolas de fogo, assim os via. Não havia tempo para questionar, o quê e o por quê de tudo aquilo, daquele encontro. Apenas estavam ali e isto era tudo.
Sempre com gestos suaves apesar de seus olhos denunciarem uma auspiciosa energia selvagem. Tomou-a entre as mãos e agora era nos olhos dela que ele permanecia. Como se estivesse a observar a um abismo. Eis como ele a despia apenas com a força de seu olhar. Sentia-se nua frente à ele.
Ali perceberam que não poderiam usar máscara alguma. Eram puros, verdadeiros, completamente presentes em seu ato de existir. E ainda que a situação tivesse se desenvolvido na mais inusitada das situações, tudo aquilo era de fato real. Ambos estavam nus, não fisicamente mas na forma mais perfeita de suas almas.
Encostou-a na parede da sala e com a suavidade oposta do que seus olhos demonstravam, com as mãos em sua face beijou-a profundamente. Aquilo de forma alguma era apenas um beijo, era sim uma entrega total e completa de suas almas, seus corações que de alguma forma já se conheciam e agora se reencontravam.
Entregaram-se profundamente ao toque suave de seus lábios naquele beijo incrivelmente arrebatador. Suas almas regozijavam-se em imenso prazer ao encontro dos lábios que se previam macios.
A blusa branca de tecido fino pendia por seu ombro mostrando delicadamente a alça do sutiã. Sentia-se extremamente mulher - com todas as nuances que isso envolve - como se estivesse sendo banhada e inundada pela energia do sagrado feminino, o qual tanto ouvira dizer, mas que até aquele momento ainda não sabia ao certo o que isto significava. Pois bem, melhor que qualquer teoria era a prática, mostrando-se ao vivo e a cores.
(cont.)
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