sábado, 2 de fevereiro de 2013

Feliz mundo surtado

E quem é que nunca surtou
Por não ter um amor correspondido?
E quem é que nunca surtou
Por uma saudade arrebatadora no peito?
E quem é que nunca surtou
Diante de alguma escolha que teve de fazer na vida?
E quem é que nunca surtou
Por quem um dia o abandonou?

É assim o mundo dos surtados
A todo momento, a todo minuto
Existe alguém por aí
Surtado!

Quem sabe por ter sido abandonado
Quem sabe por ter sido enganado
Quem sabe por ter sido iludido
Quem sabe por ter sido incompreendido
Quem sabe por ter sido amado
Ou quem sabe por ter simplesmente amado!

Talvez, fosse melhor
Passar a vida feito a um vegetal, ou não
Mas até isto já fomos um dia
E por enquanto Ser Humano,
Ainda que surtado,
Seja o que nos baste por agora

Que para cada surtado nesse mundo
Baste a saudade do dia de hoje
Baste a ilusão do dia de hoje
Baste o amor vivido intensamente no dia de hoje,
Ainda que seja somente seu!

Enfim, que baste o seu dia
Para todas as coisas
Que lhe cabem na alma
Até que se findam
Os seus, os meus, os nossos passos
Neste mundo!

Pequena estrela guia

Estrela, estrela minha
Minha pequena
Minha brilhante
Sempre estrela guia!

Que estais a me observar
Desde a aurora dos tempos
Na guerra e no amor
Na luta e na dor

E continuais eterna
Pulsante, brilhante
Como a nos lembrar
A nossa eterna caminhada errante!

E de hoje até os confins
Do amanhã
Estarás sempre lá
Além das alturas
A espreitar as travessuras
Tal qual as aventuras
Que porventura
Os homens venham cantar

Eis nossas fiéis companheiras
Cúmplices de nossos feitos e desfeitos
Testemunhas eternas
Das dores e dos amores
Que um dia vivemos
Que um dia partiram
E que um dia reencontraremos!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Fragmentos de tempo

Tantas são as vertentes
Que me cabem na alma
Ainda posso sentir
O gosto, o tato, o cheiro
Daqueles momentos,
Fragmentos
Colhidos no tempo

Tão vastos os meus existires
Tão saudosos os meus sentires
Mas o que há de se fazer
Se o tempo jaz
E as vidas findam

Para que tão somente
Em memórias revivam!
E vivem, eternamente...

No encanto,
Nos recantos
De todo o meu ser.


Nota: Este poema faz menção as sensações que tenho, como uma espécie de lembrança, de outros momentos no tempo vividos através de outras vidas.

A primavera do amor

Que saudades daqueles tempos ditosos
Do ar seco e da brisa morna a luz do meio dia
E de você e eu
Ali a sombra da figueira
Deitados no colo um do outro
Ouvindo o murmúrio dos pássaros ao longe
E o riacho que corria mais a frente

Eis-nos ali
Sentados a verde relva
Contando coisas e cousas
Ao pé do ouvido
Daquela imponente
E majestosa árvore

Quão bela tarde
Vivemos naquela primavera
Naquele alvorecer
De nossos instintos
Mais primitivos de amor!

Quão deliciosos foram aqueles dias
Tão saborosos cheios de vida
E que importava o futuro da nação
O que importava o fim da abolição
Não que tudo não fosse
Absolutamente importante, sim era!

Mas quando se jaz
No colo de sua amada eterna
Tudo o que se espera
É que o ar entre em seus pulmões

Para que mais um dia possa viver
Para sempre contente lhe ouvir dizer
O amor que tens ao meu viver!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Uma luz no vale das sombras

E foi assim que você me achou naquele vale de sombras, jogada sobre as carcaças daquele horrendo lugar. Estava tão encolhida e profundamente perdida em meu mundo de dor. Meus olhos, temerosos estavam ao que ainda podia me acontecer. Não havia perspectivas ou sinal de que tão logo alguma coisa pudesse mudar por ali. E tão angustiante se tornava a eternidade daqueles momentos.
Foi quando por um instante ergui os olhos, que estivera sempre tão caídos ao relento. E vi você, um anjo lindo bem ali a minha frente. Tinha o olhar plácido e um leve sorriso no rosto.
E eu conhecia aquele olhar...
Mas diante da nebulosa que pairava sobre mim não consegui de imediato reconhecê-lo.
Sua luz intensamente brilhante por um instante fez-me esquecer da situação o qual me encontrava. Naqueles instantes sentia-me completamente em paz na presença daquele incrível ser de luz. Mas de repente, senti-me suja e envergonhada por estar naquela situação. E você, placidamente tocou-me a face, e olhando profundamente em meus olhos disse:
- Meu anjo!
E naquele momento sua luz tocou-me o coração e um calor percorreu todo o meu ser. E quando olhei pra mim, não podia acreditar! Eu estava igualmente iluminada como ele!
E já não havia mais dores, nem manchas. E, então, eu reconheci você.
Tu eras o que sempre fora: o amor de meu amor, a vida de minha vida!
Tu eras o meu anjo!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Corações sedentos


Quão cansados estão os corações dos homens
Corações estes sedentos de amor
Sedentos pelo fim de sua dor

Quantos corações
Calados, encolhidos e cansados não há por aí?
Um homem é o seu coração
Mas...
E se esse coração
Despedaçar, quebrar ou simplesmente estilhaçar?
Deveras existir um Super Bonder para tudo colar?

O homem não é objeto,
Não é decreto e muito menos concreto
É sim um ser sutil
Um ser vibrante
Um ser errante!

E assim prossegues na vida
Juntando cacos
Remendando buracos
Até que um dia
Perceba-se ele
Que está em pé novamente
E que está respirando contente

Porque é nesse dia
Que ele realmente entende
O quanto a vida deve ser poesia!
Eis que não há verdade alguma na dor
Pois a verdade é simplesmente
O amor!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Bosque sombrio

À pálida luz negra daquele bosque sombrio, estava eu
Tão só, tão friamente despida de maiores emoções
Ainda que algumas lembranças lhe cruzassem rapidamente
Sua mente flutuante já não era capaz de apegar-se a nenhuma delas
O mistério lhe rondava
E os corvos também
Estava enganada, não estava tão só como a pouco imaginara
Estava rodeada pela vida que habitava e emanava daquele bosque
E que mesmo sombrio, ainda assim estava mais vivo do que nunca
Pulsante, vibrante... mesmo que em 50 tons de cinza
Mas ainda assim estava vivo!
E eu também estava
Ainda que aparentasse a sombra de um fantasma
Ainda que por fora estivesse sem cor
Mas sabia que em algum lugar
Deveras existir um pote de tinta!
Que lhe trouxesse suas cores novamente
E quem sabe também pudesse pintar o vale a sua volta,
Resgatando novamente suas cores, seus aromas, sua luz
Mas por enquanto apreciemos todos os tons de cinza
Que circundeiam o vale sombrio de nossas vidas e de nossas almas.




publicado em 31 de dezembro de 2012